Os fogos de artifício _ou seja, o artifício de criar o fogo com misturas combustíveis_ são a expressão mais impressionante da festa religiosa, popular e carnavalesca.
Nos séculos das trevas, a “pólvora negra” se prestava aos efeitos prodigiosos e aterrorizantes que o drama sacro medieval empregava nas cenas infernais, com fantasmas demoníacos.
Mas foi no século XVI, com a passagem das representações religiosas para o teatro de corte, que os fogos de artifício passaram a fazer parte das técnicas da ficção cênica, tornando-se protagonista absoluto dos grandes eventos na época barroca.
“O engenho e o desenho são a arte mágica por meio da qual se consegue ludibriar a visão a fim de causar espanto”, escreveu Gian Lorenzo Bernini.
No século XVII, os fogos de artifício se tornam uma presença insubstituível em todas as ocasiões públicas: coroações, eleição de novos papas, festas ao santo padroeiro, comemoração de nascimentos em famílias reais, celebrações de paz e festas para hóspedes ilustres. A habilidade técnica progride rapidamente, e as máquinas fixadas no solo assumem proporções e complexidades extraordinárias, chegando a girândolas com 6.000 fontes, sustentadas por estruturas tão imponentes que demandavam o trabalho especializado de corporações de carpinteiros e marceneiros.
O trabalho que Valerio Festi iniciou há 25 anos, projetando espetáculos de fogos de artifício e escrevendo as partituras para sua execução, tem o principal objetivo de não perder essa expertise pirotécnica, que envolveu os mais importantes artistas do Renascimento e do Barroco.
Com a reinvenção dos fogos de artifício de matriz clássica, Studio Festi retoma a variedade composicional de uma arte que hoje está sendo reduzida à monotonia do produto industrial. Todos os elementos pirotécnicos dos nossos concertos são exclusivamente construídos sob nossas diretrizes pelos mais hábeis artesãos e pelos melhores profissionais do setor no mundo.
Convictos de nossa competência técnica e artística, levamos essa matéria _tão forte do ponto de vista espetacular_ à atenção dos artistas contemporâneos.
Valerio Festi colaborou com grandes compositores contemporâneos, fazendo-os escrever “Músicas para os Elementos”: de Luciano Berio a Bertrand Boss a Lorenzo Ferrero (e também Ennio Morricone, no campo da “música aquática”).
Além disso, convencemos importantes regentes de orquestra a executar “Concertos para fogos de artifício”: de Claudio Abbado, com a Orquestra do Teatro alla Scala na Arena Napoleônica de Milão, a Zubin Metha, com a Orquestra do Maio Musical em Siena, a Gavazzeni, com a Orquestra do Musicus Concentus nos Jardins de Boboli, em Florença. Por fim, no evento mais recente, apresentamos o “Concerto para fogos de artifício”, executado pela Orquestra de Santa Cecilia regida pelo maestro Chung Myung-whun, na Praça S. Pedro, Cidade do Vaticano, para a inauguração da fachada restaurada da Basílica de S. Pedro.
Em todos esses casos, a música foi executada ao vivo, com o acompanhamento de uma partitura pirotécnica que cria desenhos cambiantes em belíssimos espaços arquitetônicos, famosos em todo o mundo.
Esta atividade de Valerio Festi – única no mundo – permitiu sofisticar o uso das pirotecnias, a ponto de torná-las compatíveis com espaços arquitetônicos ou naturais de grande relevo. A perfeição formal e o aspecto impecável de nossas “partituras” pirotécnicas nos permitiram chegar a sincronizações perfeitas (para garantir a simultaneidade entre fogo e música), que conseguem respeitar rigorosamente as variações do fraseado musical.
Assim, os fogos de artifício do Studio Festi são plenos herdeiros da pirotecnia barroca, seja pelo brilho do colorido, seja pela precisão cromática e rítmica.
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